31/08/2026
Campus Anápolis

A Universidade Evangélica de Goiás (UniEVANGÉLICA) está entre as instituições selecionadas para integrar o PET-Saúde: Clima, 13ª edição do Programa de Educação pelo Trabalho para a Saúde (PET-Saúde), iniciativa conjunta dos Ministérios da Saúde e da Educação. O projeto, desenvolvido em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde de Anápolis (SEMUSA), tem como missão preparar o Sistema Único de Saúde (SUS) para enfrentar um dos desafios mais urgentes da atualidade: os impactos das mudanças climáticas sobre a saúde da população.

A participação da UniEVANGÉLICA no programa reforça o papel da instituição na formação de profissionais alinhados às demandas contemporâneas da saúde pública. Ao integrar um projeto de abrangência nacional e temática estratégica, a universidade amplia sua atuação para além da sala de aula, conectando ensino, serviço e comunidade em torno de uma questão que, segundo especialistas, tende a se intensificar nos próximos anos: a relação entre eventos climáticos extremos e vulnerabilidade em saúde.

Um programa voltado à equidade e à resiliência do SUS

Segundo a professora Carla Guimarães Alves, coordenadora do PET-Saúde: Clima pela UniEVANGÉLICA, o projeto tem vigência de 24 meses, entre 2026 e 2028, e está estruturado com foco duplo: fortalecer a equidade em saúde e ampliar a capacidade de resposta do SUS diante de emergências climáticas e ambientais.

A iniciativa é organizada em cinco Grupos de Aprendizagem Tutorial (GATs), cada um voltado a uma frente de trabalho dentro do mesmo eixo temático — da organização de linhas de cuidado para atendimento em situações de emergência climática à comunicação e educação em saúde. Os grupos reúnem estudantes, tutores acadêmicos, preceptores da rede municipal de saúde e um orientador de serviço, função exercida por um profissional da Defesa Civil de Anápolis.

"É um tema sensível e, ao mesmo tempo, pouco trabalhado socialmente. A gente não discute emergências climáticas com a profundidade que o tema exige", destacou Carla, ao explicar que a equipe está em fase de estudo intensivo de portarias, normativas e instrumentos legais relacionados ao tema, antes de iniciar as ações diretas em campo.

Multidisciplinaridade como estratégia

Um dos aspectos que marcam o projeto é a diversidade de cursos envolvidos. Ao todo, 50 vagas foram distribuídas entre estudantes da área da saúde — Medicina, Enfermagem, Psicologia, Nutrição e Fisioterapia — e de áreas humanas, sociais, exatas e tecnológicas, como Engenharia de Software, Design Gráfico, Direito e Pedagogia. A seleção seguiu o Edital nº 25/2026, que também garantiu reserva de vagas conforme a política de ações afirmativas do Ministério da Saúde, contemplando pessoas negras, indígenas, quilombolas, trans e com deficiência.

Os preceptores, por sua vez, foram selecionados em parceria com a SEMUSA por meio de processo seletivo baseado em análise curricular, reunindo profissionais atuantes na atenção primária, em serviços de urgência e emergência e no nível central da secretaria.

Como o projeto vai funcionar

As atividades começaram efetivamente em agosto, após um mês de julho dedicado à estruturação: seleção de discentes, tutores, coordenadores de grupo e preceptores. No dia 8 de agosto, os grupos se reuniram presencialmente pela primeira vez, em um encontro de apresentação do projeto e planejamento inicial das ações.

A partir de agora, cada grupo deve se reunir ao menos uma vez por semana para alinhar cronogramas e atividades, com encontros presenciais mensais reunindo todos os participantes. A próxima etapa prevista é um amplo mapeamento das áreas de risco no município de Anápolis, que vai orientar onde as primeiras ações de campo serão desenvolvidas.

"Estamos nos preparando primeiro no processo formativo dos nossos alunos, para que eles tenham competência técnica para desenvolver os trabalhos junto à comunidade, apoiados pelos preceptores e tutores", explicou a coordenadora.

Formação com impacto social

Ao unir estudantes de diferentes áreas do conhecimento em torno de um problema de saúde pública emergente, o PET-Saúde: Clima reforça o compromisso da UniEVANGÉLICA com uma formação acadêmica conectada à realidade social e ambiental. Mais do que capacitar profissionais tecnicamente, o programa busca construir, junto à comunidade de Anápolis, estratégias concretas de enfrentamento às emergências climáticas — um desafio que, cada vez mais, se impõe como prioridade para o sistema de saúde em todo o país.