17/09/2026
Todos os Campi

Para algumas pessoas, a doação de órgãos é uma decisão que parece distante. Para outras, ela representa a possibilidade de continuar vivendo, realizar sonhos e acompanhar de perto momentos que pareciam ter sido interrompidos. É o caso da professora Júlia Oliveira, fonoaudióloga e docente da UniEVANGÉLICA desde 2013, que há dois anos recebeu um transplante de fígado.

Em 2024, Júlia foi diagnosticada com câncer de fígado e recebeu a indicação de um transplante hepático como alternativa para salvar sua vida. Hoje, dois anos após o procedimento, ela fala sobre a importância da doação de órgãos a partir da própria experiência. “Eu só consigo hoje estar aqui exercendo a minha melhor função, que é ser mãe da Helena, porque alguém fez um ato de amor. Amou muito mais e fez a doação de órgãos do seu familiar”, relata.

A história da professora mostra como uma decisão tomada em um momento de dor pode transformar a trajetória de outras pessoas e de suas famílias. Para quem aguarda por um transplante, a doação pode representar a oportunidade de retomar planos, viver novas experiências e estar ao lado de quem ama.

É justamente para ampliar essa conscientização que o Setembro Verde é marcado pela mobilização em torno da doação de órgãos. No Brasil, pessoas que desejam ser doadoras podem manifestar formalmente essa vontade por meio da Autorização Eletrônica de Doação de Órgãos, a AEDO. O documento pode ser solicitado gratuitamente pelo site oficial da AEDO ou pelo aplicativo e-Notariado. 

Após o preenchimento do formulário, o interessado passa por uma videoconferência com um tabelião e assina digitalmente a autorização, que fica disponível para consulta pelos responsáveis do Sistema Nacional de Transplantes.

A AEDO permite que a pessoa registre quais órgãos deseja doar e torna sua manifestação de vontade acessível aos profissionais responsáveis pelo processo. Ainda assim, o cadastro não substitui a conversa com a família. Pela legislação brasileira, a doação de órgãos após a morte só pode acontecer com a autorização dos familiares. Isso significa que, mesmo que a pessoa tenha registrado sua vontade na AEDO, a decisão final sobre a autorização da doação cabe à família.

Autorização da família

Por isso, mais do que preencher o cadastro, é importante falar sobre o assunto enquanto há tempo. A orientação do Ministério da Saúde é que a pessoa comunique claramente aos familiares o desejo de ser doadora, justamente para que eles conheçam essa vontade e possam autorizar a doação caso ela se torne possível.

Após a confirmação da morte encefálica, a família é acolhida e orientada por uma equipe de profissionais de saúde, que explica o processo e solicita a autorização para a doação. Se houver consentimento e os critérios médicos forem atendidos, os órgãos podem ser destinados a pacientes que aguardam por um transplante na lista do Sistema Nacional de Transplantes.

Para Júlia, falar sobre o tema também significa reconhecer a família que, em um momento de perda, decidiu pela doação. “A conversa deve ser feita na mesa de jantar, sobre o que pode acontecer se houver um processo de morte. Fale com seus familiares, diga aos amores da sua vida que você é um doador de órgãos”, orienta.

A experiência da professora transforma a campanha em uma conversa que vai além da conscientização. É sobre falar hoje de uma decisão que pode fazer diferença amanhã para alguém que espera por uma nova chance.

Neste Setembro Verde, a UniEVANGÉLICA reforça a importância de informar-se sobre a doação de órgãos, manifestar sua vontade e, principalmente, conversar com quem está ao seu redor. Porque, quando a família conhece o desejo de uma pessoa, uma decisão de amor pode chegar muito mais longe.