Quando alguém pergunta “o que você quer ser quando crescer?”, a resposta pode parecer simples. Para quem escolhe a Medicina, no entanto, a pergunta ganha novos significados. Afinal, tornar-se médico não envolve apenas escolher uma profissão, mas construir, ao longo de anos de estudo e experiências, o profissional que se deseja ser.
“Quero ser um médico que saiba ouvir”, “quero cuidar de crianças”, “quero trabalhar com pesquisa” ou “quero fazer diferença na vida das pessoas”. As respostas podem ser diferentes, mas todas revelam que, por trás da escolha pela Medicina, existe também um desejo de propósito.
Para muitos estudantes, a escolha pela Medicina é construída ao longo de anos. Em alguns casos, surge da convivência com profissionais da área; em outros, do interesse pela ciência ou do desejo de cuidar de pessoas. Para Vitória Maria Lobo, esse sonho começou ainda na infância. “Quando eu tinha oito anos, escrevi uma carta para mim quando eu crescesse, na qual dizia que seria médica. Passei por alguns desafios, fiz vários anos de cursinho, pensei em desistir, mas achava que, se desistisse da Medicina, minha vida ficaria incompleta”, conta.
Anos depois, Vitória reencontrou a carta. Nela, havia escrito que seria médica formada aos 27 anos — exatamente a idade que terá quando concluir a graduação. “Aquela criança de oito anos começou a escrever minha história profissional”, afirma.
A experiência de viver a graduação ajuda a transformar uma ideia ainda abstrata em uma identidade profissional que começa a ganhar forma. Para Isabella do Vale Burjac, essa transformação aconteceu em uma experiência vivenciada no início do 5º período. Durante uma consulta, ela acompanhou o atendimento de uma senhora com depressão e outras alterações identificadas nos exames. A paciente foi acolhida pela equipe e, ao retornar meses depois, apresentava uma mudança significativa.
“No final do semestre, ela voltou com um sorriso, bem diferente da primeira vez, e disse à equipe que foi tão bem atendida que teve vontade de seguir o tratamento. Foi um momento muito satisfatório para mim e me confirmou que eu estava realmente fazendo o que eu nasci para fazer”, relata. Medicina é conhecimento, mas não apenas A formação médica exige uma sólida preparação científica. Anatomia, fisiologia, farmacologia, diagnóstico, tratamento e tantas outras áreas fazem parte de uma trajetória marcada pelo estudo contínuo. Mas a prática médica também exige competências que não aparecem apenas nos livros.
Saber ouvir. Comunicar-se. Trabalhar em equipe. Tomar decisões. Lidar com situações complexas. Compreender diferentes realidades. Desenvolver responsabilidade diante de cada paciente.
É nesse encontro entre ciência e cuidado que começa a surgir o médico que cada estudante deseja ser. Para Isabella, uma das principais descobertas durante a graduação foi justamente perceber que o cuidado vai além do conhecimento técnico.
A experiência com a paciente que retornou ao serviço com uma nova disposição para seguir o tratamento mostrou, na prática, que a forma como o paciente é recebido também pode fazer parte do cuidado.
Essa percepção ajuda a transformar a ideia de Medicina como uma profissão baseada apenas em diagnóstico e tratamento em uma escolha que envolve escuta, acolhimento e responsabilidade.
O papel de quem ensina Nesse percurso, os professores ocupam um papel que ultrapassa a transmissão de conteúdo. Para Priscila Usevícius, coordenadora do curso de Medicina da UniEVANGÉLICA, formar médicos significa também ajudar os estudantes a desenvolver uma visão responsável e humanizada sobre a profissão.
“Nossa responsabilidade não é apenas ensinar Medicina. É contribuir para que o estudante compreenda o impacto das suas decisões e desenvolva uma postura ética, humana e comprometida com o cuidado.”
A relação com professores, colegas e pacientes vai construindo referências que acompanham o estudante ao longo da graduação e, posteriormente, da carreira.
O apoio que sustenta o sonho A trajetória até a Medicina também é marcada por desafios. Para Everson Izaquiel Jacinto, estudante do curso, a família sempre esteve no centro dessa caminhada. “Meu combustível para fazer a faculdade sempre foi a minha família. Eles sempre me apoiaram e sonharam junto comigo quando muitos diziam que esse curso não era compatível com a minha realidade”, afirma.
Emerson conta que o incentivo esteve presente inclusive nos momentos mais difíceis, quando precisou conciliar trabalho e estudos. “Minha avó sempre dizia para todos que eu seria o médico da família. Isso me deu confiança para superar o desafio de trabalhar e estudar. Eles são meu suporte e minha força para continuar.”
A história revela que a formação de um médico começa muito antes da sala de aula. Ela também é construída pelos sonhos compartilhados, pelas pessoas que incentivam e pela capacidade de persistir diante das dificuldades.
O sonho também muda durante a formação Quem percorre esse caminho sabe que a ideia de médico construída no início da graduação pode se transformar ao longo dos anos. A convivência com diferentes áreas, professores, pacientes e situações práticas amplia as possibilidades e ajuda o estudante a descobrir novos interesses.
A Medicina oferece diferentes caminhos de atuação — assistência, pesquisa, ensino, gestão, inovação e inúmeras especialidades — e permite que cada profissional encontre sua própria trajetória, destaca a coordenadora Priscila Usevícius.
Para estudantes como Vitória, Isabella e Emerson, no entanto, existe algo que permanece desde o início: o propósito que os trouxe até a graduação.
No caso de Vitória, ele começou com uma carta escrita aos oito anos, e para Isabella ganhou novos significados a cada experiência vivenciada na faculdade. Para Everson, está diretamente relacionado à família que acreditou em seu sonho e o ajudou a chegar até aqui.
Que médico o futuro precisa? A pergunta também ganha novos contornos diante das transformações que já acontecem na área da saúde. Inteligência artificial, novas tecnologias, medicina baseada em evidências, novas ferramentas diagnósticas e avanços científicos estão transformando a maneira como os profissionais trabalham.
Mas, mesmo diante dessas mudanças, algumas características permanecem fundamentais. “A tecnologia pode transformar a forma como o médico trabalha, mas não elimina a necessidade de responsabilidade, ética, comunicação e capacidade de compreender o paciente”, completa a coordenadora do curso de Medicina.
Uma escolha que continua sendo construída Talvez não exista uma única resposta para a pergunta “que médico você quer ser?”. E talvez essa seja justamente a parte mais importante da jornada.
O estudante que começa a graduação traz consigo um sonho. Ao longo do caminho, encontra novos conhecimentos, pessoas, desafios e possibilidades. E, a cada experiência, pode descobrir um pouco mais sobre o profissional que deseja se tornar.
Para Vitória, a resposta passa pela certeza de que o sonho iniciado na infância encontrou seu caminho na graduação. Para Everson, passa pela gratidão à família que acreditou que ele poderia chegar até a Medicina, mesmo quando outros diziam que aquele não era um caminho possível.
Porque escolher Medicina é apenas o começo. A verdadeira construção acontece ao longo da trajetória. E, antes de escolher uma especialidade, um campo de atuação ou mesmo o lugar onde deseja trabalhar, existe uma escolha ainda mais fundamental: que médico você quer ser? Saiba mais sobre o curso de Medicina da UniEVANGÉLICA.
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