Com o objetivo de atender a uma demanda social urgente e ampliar o acesso à saúde, a Universidade Evangélica de Goiás (UniEVANGÉLICA) desenvolveu a Uni3-D, uma prótese de dedo triarticulada produzida em impressão 3D. O projeto surge como alternativa viável para pacientes hoje excluídos do mercado de tecnologias assistivas devido aos preços proibitivos, garantindo que a inovação contribua, prioritariamente, para a autonomia e a dignidade de pessoas que sofreram amputações.
A trajetória do pesquisador Christopher Moribayashi, aluno do Programa de Pós-graduação Stricto Sensu em Movimento Humano e Reabilitação e responsável pelo projeto, teve início na prática humanitária durante um estágio em engenharia clínica no Hospital Evangélico Goiano (HEG). Ao conhecer uma funcionária da rouparia que havia perdido os dedos em um acidente e não possuía condições financeiras para adquirir uma prótese comercial, Christopher utilizou seus conhecimentos em robótica para desenvolver uma solução sob medida. "Acabamos conhecendo a causa das pessoas que precisam desses produtos", relembra o pesquisador. Ele realizou um molde de gesso na mão da paciente, permitindo que ela recuperasse o movimento de pinça em apenas um mês.
Segundo o estudante, o objetivo foi contribuir para a transformação da vida da colaboradora do HEG. O estudo também nasce do desejo de melhorar as condições de pessoas que necessitam de apoio. Esse propósito guiou sua trajetória e o aproximou de pessoas que impulsionaram a iniciativa. Nesse contexto, a UniEVANGÉLICA — celeiro de desenvolvimento tecnológico e berço de um dos quatro parques tecnológicos do Estado de Goiás — tornou-se o ambiente ideal para o amadurecimento do projeto.
A relação de Christopher com a UniEVANGÉLICA começou antes do mestrado. Hoje mestrando, ele foi acadêmico de Engenharia Mecânica, com graduação concluída em 2024. O desenvolvimento das próteses teve início em 2023, ainda durante a graduação, com alta aceitação entre os professores, que já identificavam o potencial inovador da proposta e sua contribuição social. Desde então, o apoio de docentes foi fundamental para impulsionar o projeto. Professores como Rosemberg Fortes, hoje atuante no UniCIETEC; Joaquim Orlando Parada, coordenador das Engenharias da UniEVANGÉLICA; e Matheus Carvalho, também do UniCIETEC, foram referências importantes nessa trajetória.
Trabalho multidisciplinar
Em 2025, Christopher ingressou no mestrado em Movimento Humano e Reabilitação na instituição, dando continuidade ao trabalho iniciado na graduação. O sucesso da Uni3-D resulta da integração de diferentes frentes tecnológicas da universidade, que compõem o ecossistema do projeto. A prótese foi concebida no Fab Lab UniEVANGÉLICA, centro de inovação e prototipagem que atua como hub de desenvolvimento técnico.
O professor Matheus Carvalho, integrante do Centro de Inovação, Empreendedorismo e Tecnologia (UniCIETEC) e gestor da UniINCUBADORA, acompanhou Christopher desde a graduação e destaca seu perfil: "Christopher sempre foi um aluno muito prático; ele é realmente um inventor, um desenvolvedor, que transforma ideias em aplicações concretas".
Atualmente, o projeto é gerido pela Movement, especializada em soluções para pessoas com amputações, sendo uma das mais de 30 startups incubadas pela UniINCUBADORA e formada por bolsistas do Programa de Bolsas de Incentivo à Inovação Tecnológica (PIBTEC). Além de Cristopher, a equipe da Movement é formada Ana Alice Leão de Sousa, Kelly Katlhen Santos Lima e Lucas Resende Brito.
O professor Rosemberg Fortes, um dos coordenadores do UniCIETEC, ressalta que a instituição busca consolidar o desenvolvimento de startups alinhadas à sua missão. "O UniCIETEC desempenha um papel fundamental ao apoiar essas startups em sua sobrevivência, crescimento e desenvolvimento, enquanto o Parque Tecnológico amplia esse suporte. O grupo da Movement está na fase final de editais de fomento voltados a iniciativas com impacto social", explica.
A validação clínica ocorre no Laboratório de Análise do Movimento Humano, sob orientação da Profa. Dra. Cláudia Santos Oliveira, coordenadora de Pesquisa da UniEVANGÉLICA. O projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética da universidade para testes em humanos e resultará na dissertação de mestrado de Christopher, com previsão de aplicação em diferentes tipos de amputação. Paralelamente, o Núcleo de Inovação Tecnológica (NIT) atua no registro da patente junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).
Pesquisa e impacto social
Para o Pró-Reitor de Pós-Graduação, Pesquisa, Extensão e Ação Comunitária, Sandro Dutra e Silva, o projeto representa a integração entre áreas do conhecimento: "O sucesso deste projeto reflete a maturidade do ecossistema de inovação da Universidade Evangélica de Goiás. Ele materializa nossa missão de integrar o conhecimento técnico da Engenharia ao cuidado humanizado da Saúde, transformando pesquisa acadêmica em solução real para a comunidade".
Um marco importante é a seleção de Moribayashi pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Goiás (FAPEG), por meio da Chamada Pública nº 26/2025. O pesquisador realizará missão científica no Instituto Politécnico de Milão (Polimi), na Itália, onde a prótese será submetida a testes biomecânicos de padrão internacional.
O objetivo é validar sua biomecânica, com custo de produção estimado entre 300 e 550 dólares. A UniEVANGÉLICA já mantém convênio com o Polimi por meio do Laboratório de Análise do Movimento Humano. Durante a estadia em Milão, Christopher desenvolverá suas atividades em parceria com a pesquisadora Verônica Cimolin, da instituição italiana.
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