O uso do fogo no Cerrado, historicamente associado à destruição ambiental, passa a ser tratado também como ferramenta estratégica de conservação em um projeto desenvolvido no Parque Estadual dos Pireneus, em Goiás. A iniciativa - uma parceria entre a Universidade Evangélica de Goiás (UniEVANGÉLICA), Fundação Grupo Boticário e a Secretaria de Estado de Meio Ambiente - reúne pesquisa científica, inovação tecnológica e mobilização comunitária para compreender e manejar melhor a dinâmica dos incêndios na região. O apoio financeiro para sua execução vem da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Goiás (Fapeg).
Coordenado pela professora Vivian da Silva Braz, do programa de pós-graduação em Sociedade, Tecnologia e Meio Ambiente, o projeto parte de um princípio já reconhecido pela ciência: o fogo é um elemento natural do Cerrado e desempenha papel importante na dinâmica ecológica de determinadas áreas e na evolução do bioma. No entanto, quando ocorre de forma descontrolada, pode provocar perdas significativas de biodiversidade.
“A ideia não é eliminar o fogo, mas controlá-lo para evitar incêndios de grandes proporções que afetam negativamente algumas fitofisionomias”, explica a pesquisadora. Segundo ela, o desafio está em equilibrar os efeitos positivos e negativos, adotando estratégias de manejo que considerem as especificidades de cada área.
O projeto aposta no chamado Manejo Integrado do Fogo (MIF), abordagem que combina ações preventivas, monitoramento, queimas controladas e resposta rápida a incêndios. A proposta é integrar diferentes frentes de atuação para garantir resultados mais efetivos, alinhados à conservação da biodiversidade e à gestão da unidade de conservação.
Entre as principais ações está o desenvolvimento de tecnologias para detecção precoce de focos de incêndio, com sistemas inteligentes capazes de emitir alertas em curto intervalo de tempo. Além disso, a pesquisa científica irá monitorar como o fogo e as práticas de manejo influenciam a vegetação e a fauna, gerando dados que podem orientar decisões mais assertivas no futuro.
Outro eixo importante é a formação de uma brigada voluntária comunitária, com treinamento técnico e atuação conjunta com as equipes já existentes no parque. A iniciativa busca ampliar a capacidade de resposta local e envolver a população na proteção do território. Visão ampla
Para o gestor do Parque Estadual dos Pireneus, Fernando Morato, o projeto representa um avanço na compreensão do fenômeno. “Essa dinâmica ainda não é bem compreendida, principalmente com base em parâmetros científicos. O projeto traz uma visão mais ampla, que envolve não só a vegetação e a fauna, mas também a relação da sociedade com o fogo dentro da unidade de conservação”, afirma.
A proposta também inclui ações educativas e de mobilização social, com atividades em escolas e comunidades, fortalecendo a conscientização sobre o uso adequado do fogo. A expectativa é que, ao final, o projeto contribua para reduzir a frequência e a intensidade dos incêndios, além de servir como modelo para outras áreas do Cerrado.
Ao integrar ciência, tecnologia e ação social, a iniciativa busca transformar um dos maiores desafios ambientais do bioma em uma oportunidade de conservação mais eficiente e sustentável. O Pró-reitor de Pós-Graduação, Pesquisa, Extensão e Ação Comunitária da UniEVANGÉLICA, Sandro Dutra e Silva, também integrante da equipe do projeto, destaca que um dos principais diferenciais da iniciativa é a articulação entre universidade, poder público e instituições parceiras.
“Esse projeto demonstra a força da cooperação entre a UniEVANGÉLICA e a Secretaria de Estado de Meio Ambiente, especialmente por meio da participação do Parque Estadual dos Pireneus. É uma ação que une ciência, conservação ambiental e compromisso social, contribuindo para a proteção das unidades experimentais e fortalecendo a missão da Associação Educativa Evangélica e da UniEVANGÉLICA na produção de conhecimento voltado ao desenvolvimento sustentável”, afirma.
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