11/02/2026
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Falar sobre câncer ainda faz muitos jovens pensarem em algo distante da própria realidade, mas os dados mais recentes do Instituto Nacional de Câncer (INCA) mostram que essa percepção precisa mudar. A estimativa nacional aponta cerca de 781 mil novos casos por ano entre 2026 e 2028, e um dos sinais de alerta é o crescimento do câncer colorretal em pessoas abaixo dos 50 anos.A estimativa mais recente indica, em média, 53.810 novos casos de câncer colorretal por ano no Brasil. O aumento entre a população mais jovem já é observado na prática clínica e tem relação direta com hábitos de vida.

Neste mês do Dia Mundial do Câncer, a Universidade Evangélica de Goiás (UniEVANGÉLICA) reforça a importância da conscientização entre seus estudantes, a maioria na faixa dos 20 anos. Para a oncologista clínica e coordenadora e preceptora da residência em Oncologia Clínica da instituição, Milena Aparecida Coelho Ribeiro Bessa, o cenário exige atenção desde cedo. “O aumento dos casos na população mais jovem é claro e tem como base fatores de risco comportamentais, como alimentação predominante de alimentos ultraprocessados e industrializados, sedentarismo, obesidade, tabagismo e etilismo”, explica.

A rotina acadêmica intensa, alimentação desregulada, noites mal dormidas e consumo frequente de bebidas alcoólicas podem parecer parte natural da vida universitária. No entanto, muitos desses comportamentos estão associados ao aumento do risco de câncer. Segundo a especialista, os principais fatores relacionados a uma grande parte dos casos atuais são o excesso de bebida alcoólica, tabagismo (incluindo cigarro eletrônico e narguilé), sedentarismo, alimentação pobre em fibras e rica em ultraprocessados e carnes vermelhas, obesidade, sexo desprotegido e sono de má qualidade.

O câncer colorretal, por exemplo, tem sido diretamente associado ao consumo elevado de alimentos industrializados e ao baixo consumo de fibras. Quanto mais precoce a exposição a esses fatores, maior a chance de a doença se manifestar mais cedo.

Sinais que não devem ser ignorados

Um dos maiores desafios entre jovens é a tendência de normalizar sintomas. Alterações no hábito intestinal, mudanças na característica das fezes, presença de sangue, emagrecimento inexplicado, surgimento de nódulos, feridas que não cicatrizam, fadiga intensa, tosse persistente ou falta de ar precisam ser investigados.

“Se um sintoma persiste por mais de duas a três semanas, é fundamental procurar avaliação médica”, orienta Milena.

Embora muitos exames de rastreamento tenham idade mínima recomendada — como mamografia a partir dos 40 anos, colonoscopia a partir dos 45 e exame DNA-HPV para mulheres a partir dos 25 — a preocupação com a saúde deve começar muito antes.

Especialistas discutem, inclusive, a possibilidade de antecipar o início do rastreamento do câncer colorretal devido ao aumento de casos em adultos jovens.

Mas antes dos exames, a prevenção passa por escolhas diárias, e a principal orientação é clara: adotar bons hábitos desde cedo. “Busquem informações de qualidade e respaldadas pela ciência, insiram na rotina hábitos saudáveis desde já, conheçam o histórico familiar e nunca se esqueçam de que o diagnóstico precoce salva vidas”, reforça a oncologista.

A mensagem para os universitários é direta: o câncer não começa aos 50. Ele pode estar relacionado a decisões feitas muito antes. Cuidar da saúde durante a juventude é um investimento para o futuro — e começa com informação, responsabilidade e pequenas mudanças na rotina.