O Setembro Vida é uma iniciativa institucional muito importante porque amplia a discussão sobre valorização da vida para toda a nossa comunidade acadêmica, envolvendo estudantes, professores e colaboradores técnico-administrativos. Neste ano, trabalhamos com o tema “Pedir ajuda e oferecer ajuda”, justamente por entendermos que falar de saúde mental também exige falar sobre a qualidade das nossas relações e sobre a importância dos vínculos que construímos.
Vivemos um tempo marcado por muita aceleração, individualismo e relações que, muitas vezes, se tornam superficiais. Temos inúmeros recursos tecnológicos que facilitam o contato, mas estar constantemente conectado não significa, necessariamente, sentir-se próximo, acolhido ou pertencente. Ao mesmo tempo, convivemos com diferentes formas de sofrimento psíquico e com situações cada vez mais complexas, que afetam a maneira como nos relacionamos, como percebemos o outro e também como reconhecemos nossas próprias necessidades. Muitas vezes, estamos cercados de pessoas e, ainda assim, nos sentimos sozinhos ou temos dificuldade de dizer que não estamos bem.
Por isso, a proposta deste ano é chamar a atenção para algo que parece simples, mas que é fundamental: precisamos fortalecer nossas relações e nossas redes de apoio. Os vínculos sociais constituem importantes fatores de proteção para a saúde mental. Precisamos recuperar a capacidade de perceber quem está ao nosso lado, de demonstrar preocupação genuína e de construir relações nas quais seja possível tanto oferecer quanto pedir ajuda.
E oferecer ajuda não significa ter uma resposta técnica ou saber exatamente o que dizer. O cuidado profissional tem seu lugar e deve ser realizado por profissionais capacitados, mas existem atitudes de cuidado que são essencialmente humanas e que todos nós podemos exercer: ouvir com atenção, acolher sem julgamentos, demonstrar interesse verdadeiro, não minimizar o sofrimento, permanecer por perto e, quando necessário, ajudar aquela pessoa a buscar apoio profissional. Da mesma forma, precisamos tornar mais natural o ato de pedir ajuda: procurar alguém de confiança, falar sobre o que estamos vivendo, reconhecer nossos limites e permitir-nos ser vulneráveis. Não precisamos dar conta de tudo o tempo todo.
Acredito que ações como o Setembro Vida também reafirmam o compromisso da UniEVANGÉLICA com uma cultura institucional de cuidado. Nossa comunidade dispõe de diferentes espaços e serviços de acolhimento, como os ambulatórios de Medicina, o Serviço-Escola de Psicologia, o atendimento psicossocial aos colaboradores, os grupos de convivência da Capelania, o UniATENDER, os grupos de atendimento psicológico aos discentes vinculados ao curso de Psicologia e o Núcleo de Acessibilidade e Inclusão.
A Universidade é um espaço de formação, mas é também um espaço de convivência, de construção de vínculos, de cuidado coletivo e de apoio mútuo. Valorizar a vida passa, também, por construirmos uma comunidade na qual as pessoas saibam que podem cuidar umas das outras e que não precisam enfrentar seus momentos difíceis sozinhas.
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