01/10/2026
Campus Jaraguá

“Só pude dar a eles ‘presença’ e, na realidade, vi que era o que eles mais queriam.” A percepção do estudante Marcos Gabriel Rodrigues da Silva, do curso Técnico em Enfermagem da Universidade Evangélica de Goiás – Campus Jaraguá, surgiu depois de uma tarde de convivência com os moradores do Abrigo de Idosos Mãe Emília, em Jaraguá (GO). Para ele, a visita, realizada no dia 26 de setembro, revelou um aprendizado que vai além dos conteúdos técnicos: algumas das lições mais importantes sobre o cuidado são encontradas quando se está disposto a ouvir.

“Quando vou analisar o que foi a experiência de visitar o lar dos idosos, me deparo com tamanha bagagem que eu ganhei sem nem pedir”, conta o estudante. Ao longo da visita, ele se lembrou de uma palavra discutida em uma palestra na faculdade: presença. A partir dela, passou a observar de outra maneira os olhares, as histórias e a necessidade de convivência dos idosos.

A experiência fez com que Marcos enxergasse no abrigo um espaço de histórias marcadas pelo tempo, mas também de valores que permanecem. “Vi uma escola de virtudes: amor, caridade, esperança, fé, humildade”, relata.

A visita, proposta na disciplina Saúde do Adulto, com a turma 0361-02ª, do segundo período do curso, teve como tema “Humanização no Cuidado”. A proposta foi aproximar os estudantes de uma realidade que faz parte do cotidiano da Enfermagem e proporcionar uma experiência em que conhecimento técnico e relações humanas estivessem lado a lado.

Durante a tarde, os alunos participaram de momentos de conversa e acolhimento com os residentes, compartilharam um lanche e auxiliaram em atividades como alimentação e deambulação, de acordo com as necessidades apresentadas por cada idoso.

Histórias que também ensinam

Para a estudante Daiane Alves de Vasconcelos Leite, a experiência foi marcada pela possibilidade de conhecer um pouco das histórias de cada residente. “Cada idoso ali tem um legado, tem sua história, e hoje, por motivos diferentes, ali estão”, afirma. Ela conta que ficou emocionada com a receptividade dos moradores e com a oportunidade de observar o trabalho realizado pela equipe responsável pelos cuidados.

A estudante também levou da visita uma reflexão sobre o profissional que deseja se tornar. “Saio dessa visita com o coração cheio de gratidão e com uma certeza: que possamos ser excelentes profissionais, que por onde formos levaremos ao próximo primeiramente o amor e cuidado sem medidas.”

A professora Aline Amorim acompanhou a atividade e destaca justamente essa dimensão da formação. Para ela, observar os estudantes colocando em prática atitudes de cuidado, respeito e humanidade tornou a experiência especialmente significativa. “Poder estar junto aos professores e acompanhar nossos alunos demonstrando tanto cuidado, respeito e humanidade com os idosos foi muito gratificante. A equipe do abrigo nos recebeu com muito carinho, e conhecer um pouco das histórias de vida dos idosos tornou esse momento ainda mais significativo.”

Segundo a professora, a experiência foi enriquecedora para estudantes, docentes e todos os envolvidos na ação.

Formação que ultrapassa a sala de aula

A atividade no Abrigo de Idosos Mãe Emília integra a proposta de extensão do curso Técnico em Enfermagem e contribui para aproximar os conteúdos trabalhados em sala de aula das situações concretas que os futuros profissionais encontrarão em sua atuação.

Ao vivenciarem o cotidiano dos residentes, os estudantes puderam perceber que o cuidado em Enfermagem não se resume a procedimentos e conhecimentos técnicos. Ele também envolve escuta, respeito, vínculo, atenção e capacidade de reconhecer as necessidades individuais de cada pessoa.

Para Marcos, essa foi justamente uma das principais lições da experiência. Ao falar sobre o que encontrou naquela tarde, ele não destaca apenas aquilo que conseguiu oferecer aos idosos, mas principalmente aquilo que recebeu deles. “Sou grato por tamanha riqueza que encontrei naquilo que o tempo não apagou, mas sim marcou: histórias.”

A frase traduz uma experiência em que o aprendizado aconteceu de forma recíproca. Os estudantes foram ao abrigo para cuidar, mas voltaram com novas histórias, perspectivas e uma compreensão mais ampla sobre o significado de estar presente. Porque, na Enfermagem, cuidar também é ouvir, acolher e reconhecer a história de quem está diante de nós.